sexta-feira, 24 de abril de 2026

Ⅳ Manifesto (da) Vanguarda(da), de Glauco Mattoso, publicado no Jornal DoBrabil em qualquer momento entre 1977 e 1981 (não tenho os originais para verificar), conforme a grafia original, precedido de uma imagem acrescentada

Na casa
Cy Twombly. Olympia. 1957. Tinta a óleo para parede, giz de cera, lápis de cor e lápis de grafite sobre tela. 200 × 264,5 cm.

(M)arte:facto

A OBRA É UM ROUBO.
o leitor é um bobo.
o auctor é um
ladrão.
a auctoria é uma
usurpação.
a auctoridade,
idem ibidem.
a creação é uma
fraude.
creatividade é
repertorio.
imaginação é
memoria / em arte
nada se cria, tudo
se copia — e não
venham dizer que
isto já foi
dicto: pereant
qui ante nos
nostra dixerunt /
a historia é
anonyma.
a estoria é
espuria.
não interessa
saber si shakespeare
existiu ou não
existiu, esta
é a questão.
IDÉA NÃO É
PROPRIEDADE.
samba é como
passarinho.
VIVA O PASSARINHO!
VIVA O SAMBA!
ABAIXO O
COMPOSITOR!
todas as idéas
são de todos.
é tão licito
plagiar quanto
reivindicar
auctoria.
é até mais
licito:
o plagio é mais
honesto que o
original.
ladrão que rouba
ladrão tem
perdão perpetuo.
VIVA A CHUPADA!
VIVA A CAMA!
ABAIXO A FAMA!
a immortalidade
FEDE!
ABAIXO OS
MEDALHÕES!

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